O varejo físico vai chegar ao fim?

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Por Texto: Sheila Hissa com reportagem de Katia Simões e Patrícia Büll - redacao@savarejo.com.br -

Você pode não acreditar nisso, mas saiba que vêm por aí grandes mudanças que você não poderá ignorar. Esteja preparado

Apesar do que apregoam alguns gurus disruptivos ou analistas do mercado, não há evidências que apontem a substituição completa das lojas físicas pelo e-commerce e pelas lojas autônomas – aquelas operadas 100% por inteligência artificial. Mesmo nos EUA, onde se fala no apocalipse do varejo, em função do fechamento de inúmeras cadeias nos últimos anos, essa visão é exagerada. O horizonte mais distante não indica o fim do varejo físico, mas, sim, grandes (grandes) mudanças .

É nesse cenário que os olhos do supermercadista precisam ficar pregados. Estudo divulgado no site Economic.com, da Moody’s Analytics , oferece uma boa ideia do que está acontecendo. Segundo o autor do estudo, Adam Ozimek, o declínio geral do varejo físico nos Estados Unidos tem sido relativamente pequeno na economia, e não uma grande ruptura estrutural, como muitos imaginam. No Brasil, a situação é bem parecida. Ao considerar a taxa de empregos americana no segmento, Ozimek constatou que ela ainda está próxima da alta histórica – 15,3 milhões de vagas, perdendo apenas 22 mil postos de trabalho neste ano, abaixo do pico alcançado em 2017.

Numa análise do comportamento dos últimos 32 anos, o analista descobriu ainda mais: enquanto o emprego no varejo caiu de 11,8% para 10,4%, em relação ao total de empregos, o da indústria de manufatura despencou de 25% para 9%. O que mostra a vitalidade do setor e sua importância para o consumidor. No Brasil, apesar da crise econômica dos últimos anos, o varejo continua sendo o maior empregador privado do país. Os 300 maiores varejistas no ranking da Sociedade Brasileira de Varejo e Consumo empregam 1,36 milhão de pessoas, número semelhante ao de 2017.

O GPA Alimentar tem 91 mil colaboradores, o mesmo volume do ano passado. “Pensar que o varejo físico está condenado é uma afirmação extrema”, afirma Carlos Honorato, professor de cenário econômico da Saint Paul Escola de Negócios . Para ele, o varejo está atravessando um processo de transformação, porque o consumidor vem sendo movido pelas tecnologias e complexidades da vida moderna. Mas isso não é o fim de um modelo. “As vendas online ou das lojas inteligentes, sem caixa e totalmente automatizadas, agradarão a uma parcela da população, mas não toda”, afirma Honorato. “Os movimentos de comida natural, restaurante artesanal, faça você mesmo, produtos orgânicos, evidenciam o retorno de um grande público (inclusive jovem) aos espaços físicos”, declara. “O que o varejo precisa é ficar atento a todos os movimentos para oferecer opções ao cliente.”

Vamos aos fatos
Nos últimos 6 anos:

  • 6,3% foi o aumento no número de lojas do varejo alimentar
  • 18% o salto no número de funcionários (Banco de dados de SA Varejo)

Nos últimos 9 anos:

  • Enquanto o percentual de pessoas ocupadas na indústria de transformação avançou 33%
  • o de pessoas no comércio varejista cresceu 33,6%
  • Diferença de 1000% (PAC/PMC do IBGE)

O que pensam os varejistas

“A loja física não está ameaçada, como andam dizendo. é nela que o cliente adquire o lançamento, a oferta, e faz a compra por impulso. mas o online tem seu papel. há três meses, temos parceria com a rappi, serviço digital de compra com delivery. o cliente entra no aplicativo e escolhe os itens. a Rappi vai até a loja, faz as compras e entrega. implantamos em uma unidade-teste, e o serviço já responde por 5% das vendas”
Antonio Romacho Diretor-presidente Asun (RS) 

“No Brasil tem espaço para tudo, inclusive o e-commerce. algumas pequenas empresas da central de negócios Unibrasil já entraram no segmento. os dois canais se complementam e tendem a gerar mais vendas. e isso vale tanto para o varejo de preço baixo quanto para o varejo mais sofisticado. o mercado é enorme, variado, com muitas possibilidades a serem exploradas” 
Paulo Cardillo Superintendente da Unibrasil (CE)

“Não existe declínio de loja física no centrooeste. apesar do progresso com a agropecuária, a região é muito tradicional. existe uma barreira cultural em comprar pela internet. o pessoal desconfia de não receber o produto escolhido, da forma de pagamento, etc. estudos apontam que menos de 4% do faturamento do setor vem do e-commerce. sou cético em relação à expansão rápida” 
Mirko Ribeiro Diretor comercial, Juba e Atacado Pantanal (MT)

“A loja física e a online vão conviver e se complementar. mas o ritmo é lento na maioria das cidades. as classes c e d têm celulares, mas não o acesso à internet com velocidade para realizar compras. é preciso começar de alguma forma e já, mas sem afobação. nós optamos por e-commerce em apenas uma loja, onde a população tem poder aquisitivo maior. vai ser bom para entender como funciona a dinâmica. vamos começar devagar” 
Rafael Guilherme dos Santos - Sucessor Arco-Mix (PE) 

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